2006-11-22

Se existe um assunto que me enerva é essa suposta diferença do gênero masculino e feminino em relação as coisas da vida. Existem várias diferenças biológicas e até sociais (a nível do que se espera de uma mulher ou de um homem, ou seja, pré-conceitos) - mas aí a endossá-las com bobagens é muito complicado. Esse é um dos motivos de eu achar ridículo o que a Martha Medeiros escreve.

Ouvi na televisão, há pouco, uma atriz global contando que (não sei bem se é um roteiro de teatro, cinema ou até um caso verídico - o que não faz diferença nesse caso) uma mulher teria "feito como os homens" e procurado serviços profissionais para sua satisfação sexual. Ela teria utilizado esses serviços por um final de semana inteiro, onde fizeram sexo (óbvio), jantaram juntos, viram televisão, etc. e, encerrando-se o período, ele apresentou a conta - e ela, que já havia pensado que eles estavam namorando, ficou chocada. Mas, como achou que estava apaixonada, decidiu tentar "tirá-lo daquela vida".

Logicamente, até aqui eu também não vi problema nenhum. Inclusive é um tema interessante para uma dramatização justamente por tentar terminar com preconceitos. O que eu considerei ridículo foram comentários do tipo "como toda a mulher que não sabe diferenciar o sexo do amor" e "é interessante como ficam evidentes as diferenças entre homens e mulheres". Se a mulher não sabe diferenciar sexo de amor, os homens só contratam serviços sexuais remunerados de outros homens? Ou é vedado às prostitutas o estatuto de mulher? Os filmes pornográficos são, na realidade, cenas tórridas de amor verdadeiro de uma mulher por três homens ao mesmo tempo? Ou as atrizes de filmes "adultos" também não merecem ser mães?

Definitivamente, existem mulheres (e homens) que ainda vivem num mundo muito romantizado.

À BEIRA, OU MELHOR, TOTALMENTE DENTRO DO RIDÍCULO