2006-05-07

É inegável que existem problemas insolúveis. E cada um pode ajudar de alguma maneira a tentar resolver esses problemas: os advogados, tentando rever as leis que regem as contribuições e destinações do dinheiro público, sugerindo novas soluções ao legislativo, ou os economistas, tentando novas formas de geração de emprego e renda, os engenheiros com novas tecnologias, etc. E, dentro desta gama, vejo apenas uma maneira da história ajudar: não é dando exemplos anacrônicos, pesquisando soluções passadas para problemas como esses, ou buscando suas origens, a situação inicial, a "era do ouro" dos humanos; a única forma que podemos fazer isso, no ponto de vista que defendo, é mostrando que se pode pensar livre das amarras do sistema vigente, buscando outras correntes de pensamento marginalizadas e derrotadas pela visão capitalista dominante hoje, e se dedicando ao estudo delas, para que tenhamos um grau de sofisticação ao menos próximo do que tem a ideologia do "campeão" de hoje. E, novamente, digo: o discurso socialista vigente é a mesma coisa que sempre se propôs, só que em uma roupagem do século XXI. Isso também é uma forma de propor uma mudança não mudando. A mudança de base é uma coisa abstrata: para mim começa na base do pensamento, no campo da possibilidade dos pensamentos. E, se pensarmos bem, o discurso da ética e do compromisso tem uns dois mil anos, pelo menos.

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Concordo que os pronomes possessivos sejam um problema monstruoso na sociedade de hoje. Pensar não só nas coisas que se pode ter, mas nas pessoas (ter uma namorada, um cachorro, um carro), como se isso fosse tanto importante quanto possível. Já disse isso várias vezes: este é um câncer. Só que vejo apenas uma maneira de corrigir isso: dando novas possibilidades de pensar às pessoas. Se não fizermos isso como historiadores, não temos "serventia" alguma (não que eu ache que isso é muito importante).

A FUNÇÃO DO HISTORIADOR (EXCERTOS DE UM E-MAIL DO PASSADO)