2002-12-05

Lisonja.

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"SEJAMOS FELIZES: JANJÃO VOLTOU

Por Xenogóris Scapadércius
sucursal Porto Alegre

Não podemos ser felizes o tempo todo, nos ensinava Freud. A felicidade é um estado passageiro, fugaz, e se assim não fosse, não conheceríamos nem suas altitudes elevadas nem as profundezas da depressão. Consolemo-nos então da longa espera que temos de suportar entre estes raros momentos de sublimidade e gozemos, usufruamos intensamente, destes oásis em meio ao deserto do dia-a-dia. Acaba de apontar no horizonte do universo blog um desses pequenos paraísos: depois de entediantes dias sem quaisquer novidades, o nhanhamnemonica e, principalmente, o janjamnemonica, arenas públicas do talento literário e da peculiar ironia bem humorada do Janjão Mnemônico, voltaram com força total.

Não que o silêncio do autor durante vários dias seja uma surpresa. Na verdade, a personalidade ciclotípica e tendencialmente depressiva do jovem autor neo-romântico tornam seu ritmo de publicações extremamente descontinuado, marcado pela ruptura. Ao menos que o Janjão passe a recorrer ao auxílio de livro de auto-ajuda - o que seria uma tragédia tanto para ele quanto para seus leitores -, será sempre assim. Mas se seus escritos continuarem desta qualidade, será fácil suportar os períodos de vacas magras.

Um bom início para as leituras é SER, um texto de desconstrutivismo psicológico, em que o Janjão destrói com o mito da individualidade do Eu. Em Brados Gritados, o autor retoma suas lembranças (que importa se são fictícias) para discutir, com sua mordaz ironia, a incompatibilidade do triunfalismo oficialista, e porque não dizer ocidental iluminista, diante da impossibilidade concreta de criar uma sociedade democrátca - tudo a partir de brincadeiras com o Hino Nacional! Um pouco mais antigo, mas também podendo ser incluído nesta coletânea, compondo a trilogia das impossibilidades do ser humano, seja sozinho, seja em sociedade, Guerras Pessoais retrata o tédio, a ausência de respostas para perguntas nunca eunciadas, enfim a total e inegável falta de significado na existência.

Menos pretensiosa e mais mordazes, as crônicas do nhanhamnemonica chutam o balde da mesmice dos blogs. Destaque para Momentos e Ciência do Poder do Remédio. Assim é o nhanha: curto, rápido, prazer sem maiores comprometimentos.
"

Recebi isso de um cara foda. Por isso postei. Ele escreveu de uma maneira tão eloqüente que eu até tive vontade de ler - e, realmente, tive que reler - os artigos que ele citou para poder saber do que ele tava falando. Egos inflados, mas faça-se justiça: o Luciano tá demorando. Ele, se já tivesse tirado o site dele da versão beta, tinha tudo para ser o melhor da web.

NEM TANTO, MESTRE, NEM TANTO!