2002-10-15

Dífícil. Imagina:

O cara ve uma garota. Aquela garota. Eles conversam. Riem muito. Lembram do passado. Seguem rindo até o momento que as risadas não fazem mais sentido. A hora que o rosto pára de fungir e estampa aquela aparência de "puta merda, como eu senti a tua falta". E eis que surge quem? O popular beijinho que cresce no meio das duas bocas e se torna beijão. Caloroso, excitante, de tirar o fôlego. E é apenas o primeiro de outros tantos. E quando os lábios já não conseguem mais controlar os instintos, as mãos fazem o resto. Para que roupa, tá calor mesmo! Toques, gemidos, suspiros. Tudo arde em febre. O mundo pode cair, azar, não faz diferença. Nada faz diferença. É o momento da comunhão carnal, das sicronias cardíacas, dos movimentos frenéticos. Siga a dança do reino da lascívia!

Não podia ser tudo bom, no entanto. Eis que de repente surgem no quarto duas figuras conhecidas: ex sogro e sogra. Mas parece que os amantes estão ali apenas comendo pipocas. Os velhos falam a eles coisas banais e idiotas. O sangue do cara ferve quando o senhor diz que ele era o sétimo. Mania porca de julgar alguém que ele só acha que conhece. O cara resolve colocar a roupa e sair. A garota já não estava mais ali. Ele sai e conversa com seu amigo. Ele vê pessoas que ele não sabe como estão, mas imagina como elas sejam hoje.

E de tudo, depois de acordar, ficou só a saudade.

SONHOS