2002-08-28

DESTINO

Destino. Esse grandecíssimo filho de uma cadela. Ele apronta das dele sempre.

Envolto em mais um dia desses sem nada para fazer, passei mais esse que vivi hoje. Isso até as cinco e trinta da tarde, quando as coisas mudaram. Estava eu correndo pela casa a cata das minhas coisas que nunca estão onde eu queria que estivesse, e conversando com o meu irmão, quando o telefone tocou. Ele atendeu. Era para mim. Uma voz diferente do outro lado. Eu já sabia quem era. Na realidade estava esperando por aquele telefonema desde domingo. Eu tinha uma espécie de necessidade de ouvir aquela voz. Por mais estranho que pareça, como já concordamos anteriormente.

Bem, o fato é que o telefone tocou e ela estava do outro lado da linha. Ou da fibra ótica, afinal estamos bem modernos hoje. E, para grandes distâncias, nada melhor que tecnologia. Ela encurta limites. E eu de tempo curto. Ainda precisava colocar o carro para andar meus trinta quilômetros de congestionamento. Aula de estatística. "Bah, agora infelizmente não dá. Tu me pegou de saída. Se tu puder, liga amanhã, perto das duas. Daí a gente tem mais tempo". Maldito tempo. Mesmo sem eu estar trabalhando, ainda escorre pelos meus dedos quando eu mais preciso. Fui seguir a minha sina.

Aula. Recebi a minha prova. Fui bem. A professora começa a dar uma pequena explanaçãozinha sobre as questões. Só que uma delas eu não engoli. Pedi explicação. Ela se esquivou. Insisti. Ela disse que estava errado. Eu disse que não estava. Ela insistiu. Eu insisti. Ela voltou a encorrer no erro. E eu falei que aquilo era física de primeiro grau, simples e lógica. Ela ficou puta. Quando ela me chamou de "meu anjo" na frente da turma toda, eu fiquei puto. Ela deixou o sangue fugir para a cabeça. Eu já parecia um termômetro invertido. Ela continuou batendo na mesma tecla. Eu desisti. Peguei minhas coisas para ir embora. Minha amiga disse que não valia a pena. A professora disse que eu podia sair, que ela não tava nem aí. Daí eu fiquei mais puto. Quando eu saía pela porta ela ainda resmungou algo que eu não entendi e eu respondi algo que não me lembro. Nisso transcorreram-se cinco minutos.

Com medo de ganhar meia ou uma hora, sei lá eu, em boa e distante companhia, perdi cinco minutos da minha vida com gente ignorante. Aprendi a lição. Liga pra mim a hora que quiser, vou arrumar tempo para todas as coisas que eu achar importante. Nem que tenham esse rótulo apenas por dois ou três dias. Vou ser mais instintivo. Vou ser mais humano. E isso não é uma jura de final de ano.

Nunca mais brigo com Chronos e Fortuna. Lhes peço perdão.